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Muito tem se falado sobre gestão emocional, mas o que se tem implementado sobre nas empresas?

A gestão emocional pode ser entendida pela Neurociência como uma forma de observar suas emoções, pensamentos e sentimentos e reagir de maneira proporcional quando eles se desenvolvem. Evidentemente não é simples perceber, codificar, nomear e controlar impulsos, sensações físicas e ações sobre as emoções principalmente quando deparadas com a raiva e o medo, este último, o grande vilão do engajamento real no trabalho.


Na maioria das vezes nos primeiros rounds de conversas com líderes e funcionários nas empresas, as frases mais escutadas são “os colaboradores estão desengajados”, “os chefes nos pressionam demais”, “as metas são inatingíveis” ou “meu local de trabalho é tóxico”, e a ênfase é colocada sempre na empresa, nos outros.


Lembre-se de que em qualquer lugar que você trabalhar ou mesmo frequentar, como em um curso, uma roda de amigos e inclusive na própria família e em sua vizinhança, ou seja, qualquer reunião de CPFs, nem sempre você vai gostar do que encontra e isso é natural. Uma empresa ou um CNPJ, qualquer que seja o ramo, local e tamanho, é feita de pessoas, CPFs reunidos em prol de um causa, nem sempre tão justa e harmônica quanto gostaríamos que fosse.


É natural que essas diferenças apareçam e que na maior parte do tempo as críticas à organização a que pertencemos sejam legítimas e verdadeiras, mas a mudança e melhoria da sanidade mental nas empresas devem começar primeiro em nós mesmos e depois esperarmos e cobrarmos isso dos outros.


E existem no mínimo duas vias para melhorar esse cenário endêmico de problemas de transtornos mentais nas organizações:

Primeira via: A partir do indivíduo;

Segunda via: A partir da empresa.



Primeira Via: Cuidar de si mesmo (A partir do indivíduo)


Ao invés de controlar emoções, devemos fortalecer nossas habilidades de gerenciamento dessas emoções, sentimentos e pensamentos. As reações emocionais são nossos mecanismos de defesa em operação sendo a forma automática e inconsciente de tentar nos proteger de riscos e mesmo de oportunidades. Já a escolha de como lidamos com isso pode ser intencional. É aí que entra a parte consciente da gestão emocional, habilidades que podem e devem ser treinadas.


Segundo o autor Rafael Bisquerra, existem cinco habilidades ou etapas da gestão emocional que são:

• Consciência Emocional: autoconsciência – habilidade de conhecer e entender emoções;

• Regulação Emocional: autorregulação – habilidade de controlar impulsos e emoções;

• Autonomia Emocional: motivação e engajamento – desejo de buscar objetivos com entusiasmo;

• Habilidades Sociais: empatia – habilidade de entender as emoções dos outros;

• Bem-estar pessoal e social: habilidade de encontrar uma base comum e desenvolver relacionamentos profissionais.


Uma maneira simples de começar a praticar a gestão emocional é se perguntar regularmente: “O que se passa em meu corpo agora? Que pensamentos estão agora em minha mente? Como posso nominar esse sentimento? O que devo fazer para aceitar isso que sinto? Qual a melhor maneira de reagir a isso para fazer o que estou fazendo?”


Evidentemente que esse processo não é simples e existem tantas outras práticas para auxiliarmos na gestão emocional, como seções de meditação, atenção plena, respiração, buscar ajuda terapêutica, inovar em oficinas de artes e hobbies, assumir riscos, aprender com os erros sem nos punirmos e permitindo-nos falhar.


Deixe então de se julgar e querer controlar o que é automático e foque na capacitação e expansão de sua consciência emocional.



Segunda Via: Cuidar dos Outros (A partir da organização)


Uma pesquisa realizada em 2019 pela consultoria americana Mercer Marsh Benefícios, atesta que a falta de orçamento foi um dos impedimentos para investir em saúde mental citado por 50% das empresas. Sabemos que não existe não ter dinheiro, o que existe é não dar PRIORIDADE. E após a pandemia de covid-19, a Saúde Mental dos colaboradores passou a ser ainda mais emergencial dentro das organizações. E para ratificar essa prioridade dados da OMS indicam que o ROI (Retorno sobre o Investimento) em prevenção e tratamentos de transtornos mentais é de 4 dólares para cada US$ 1 investido.


Palestras com especialistas, roda de conversas entre times e com as lideranças são boas iniciativas para conscientizar sobre o assunto, mas pouco adianta uma empresa investir em práticas pontuais sem um plano de gestão sobre o tema, como o que sugerimos abaixo:


1️. Essa prioridade precisa vir de cima, ou seja, estar no BSC do CEO e do C Level. Se a alta liderança da empresa não declarar prioridade sobre a saúde mental dos colaboradores, muito provavelmente não surtirão efeitos as demais ações implementadas. Além de sensibilizados os líderes devem ter indicadores de sucesso em sua remuneração varável sobre a melhoria desses objetivos.


2️. Mais importantes que pesquisas de clima anuais e selos na parede, são Mensurações assertivas sobre Saúde Mental, Bem-estar integral e Segurança Psicológica. Mas alerta, só as realizem se realmente o objetivo for implementar um plano de ação rápido e efetivo. Evidente que Clima Organizacional é importante, mas essas pesquisas e rankings não têm como objetivos diretos tratar de temas tão sensíveis quanto saúde mental e segurança psicológica. Ainda mais no cenário pós pandêmico, onde os índices de estresse crônico, burnout e transtornos ansiosos-depressivos atualmente escalam assustadoramente os patamares científicos considerados “aceitáveis” e derrubam reputações e margens operacionais. Identificar e tratar os Transtornos Mentais Comuns de forma direta e segura, mensurando através de Pesquisas científicas validadas e instaurando a partir de então planos de ação precisos, diretos e acolhedores são de fato ações imediatas a serem tomadas pelos responsáveis da empresa para controlar essa epidemia pro traz da pandemia.


3️. Capacite e envolva as suas lideranças. A má gestão direta é responsável por 65% dos pedidos de demissão voluntários nas empresas e podem ser responsáveis por até 90% dos Transtornos mentais dos colaboradores. Ou seja, muitos bons colaboradores saem e a maioria dos que permanecem podem ficar doentes sob a gestão de uma má chefia imediata. Para evitar que isso aconteça, além de ser imprescindível capacitar líderes e gestores para a Gestão Emocional própria e das equipes, mensurar indicadores de transtornos mentais e cruzar os resultados por local de trabalho ou departamentos, obtendo assim um “mapa de riscos mentais” dentro da organização, possibilita planos de ações individualizados. Dessa forma ainda é possível ajustar e traçar objetivos de indicadores chaves para cada uma desses setores, comprovando ou não a eficácia dos planos de ação, e cruzando inclusive com outros OKRs de produtividade para comprovação de ROI do Departamento e da empresa.


4️. Ofereça na empresa uma rede de apoio psicoterapêutico sem tabus. Que a saúde mental é hoje o grande risco e dano empresarial nas pessoas já está evidente, então ações e benefícios que facilitem o acesso à psicoterapia e tratamentos auxiliares pode ser um grande divisor de águas na sua empresa. Além de claro, tornar sua organização mais atenta ao lado Social, muito importante para empresas que buscam se alinhar a práticas ESG (Ambiental, Social e de Governança).


5. Reavalie periodicamente os resultados das Pesquisas e tratamentos para ajustes de planos de ação que devem ser contínuos em gestão de pessoas e governança

Refaça a pesquisas de saúde mental, bem-estar e segurança psicológica em periodicidade pré-determinada, cruze e compare com os resultados anteriores.

Além de perceber os pontos de melhoria e de resultados, ajuste as políticas e procedimentos preventivos e normativos da empresa garantido também uma Gestão de Governança Corporativa.


E você e sua organização, estão em uma estrada de duas vias ou em rota de colisão?

A FairJob pode ser um norteador no caminho da Gestão Emocional! Entre em contato.




Fernando Brancaccio é especialista em Neurociências e Gestão de Pessoas e fundador da FairJob Ltda.

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